"Espero que a partida seja feliz e espero nunca mais voltar.”Frida Kahlo
Antônio vivenciava um dos momentos mais difíceis de sua maturidade, as perdas, tanto material, como amorosa. Foram dias planejando o seu fim, pois as dores das perdas o venceu. O desemprego ao completar quase a fase sexagenária cumulada com a falência conjugal foram o suficiente para derrotá-lo.
Agora, quando ele mais precisava da companheira ao seu lado se viu abandonado sem afeto. Então, retirou todo seu fundo de garantia de serviço, depositou-o numa conta em benefício da mulher, organizou seus documentos numa pasta, juntamente com um bilhete de despedida. Despediu-se com uma leve esperança de ser impedido, mas sem sucesso dirigiu-se à recepção de um hotel próximo e deu entrada na estadia que seria breve. Pediu uma garrafa de uísque e a sorveu sem pressa até a última gota, abriu a janela do andar mais alto e pela madrugada quando a cidade dormia lançou-se no seu vôo finito.
A única lembrança deixada de sua ausência definitiva no vago momento de sua partida ao bater a porta, foi a chave de casa pendurada no chaveiro. Sendo descoberto bem posteriormente, sua pasta que arquivava sua despedida.
Vou-me para nunca mais voltar !
Talvez, a última companheira desatenta sofra seu luto pelo desafeto. Mas, a antiga companheira um dia deixada por Antônio, cujo retorno se esperançava sofrerá eternamente seu luto que jamais se interrompeu. E, remoerá a pergunta sem tempo de resposta. Por quê ?