domingo, 25 de fevereiro de 2018

Medo da Vida...




Já que você não vai voltar preciso seguir a vida. Como perdi tempo no devaneio inútil da tua espera. Foram anos da vida desperdiçados paralisada no tempo sem rumo na esperança da chave rodar o ferrolho da porta e vislumbrar tua aparição. Muitas noites imaginava tua chegada cansado e arrependido da porta que batera. Nem mesmo as janelas você pulou de volta. A ida foi sem vinda e minha vida ficou ali sentada a espera do retorno. Não olhei para frente quedei-me feito estátua de sal alimentando-me do falso passado de mentiras. Mas, o tempo passou a passos largos e vieram as marcas da idade, agora dificultando ainda mais a reconstrução emocional. 

Nada me restou... Apenas, medo da vida !

sábado, 21 de março de 2015

"Espero que a partida seja feliz e espero nunca mais voltar.”Frida Kahlo



Antônio vivenciava um dos momentos mais difíceis de sua maturidade, as perdas, tanto material, como amorosa. Foram dias planejando o seu fim, pois as dores das perdas o venceu. O desemprego ao completar quase a fase sexagenária cumulada com a falência conjugal foram o suficiente para derrotá-lo. 

Agora, quando ele mais precisava da companheira ao seu lado se viu abandonado sem afeto. Então, retirou todo seu fundo de garantia de serviço, depositou-o numa conta em benefício da mulher, organizou seus documentos numa pasta, juntamente com um bilhete de despedida. Despediu-se com uma leve esperança de ser impedido, mas sem sucesso dirigiu-se à recepção de um hotel próximo e deu entrada na estadia que seria breve. Pediu uma garrafa de uísque e a sorveu sem pressa até a última gota, abriu a janela do andar mais alto e pela madrugada quando a cidade dormia lançou-se no seu vôo finito.

A única lembrança deixada de sua ausência definitiva no vago momento de sua partida ao bater a porta, foi a chave de casa pendurada no chaveiro. Sendo descoberto bem posteriormente, sua pasta que arquivava sua despedida. 

Vou-me para nunca mais voltar !

Talvez, a última companheira desatenta sofra seu luto pelo desafeto. Mas, a antiga companheira um dia deixada por Antônio, cujo retorno se esperançava sofrerá eternamente seu luto que jamais se interrompeu. E, remoerá a pergunta sem tempo de resposta. Por quê ?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Quando a vida se esvaiu... Sem tempo para reconstruir.

"Na vida há momentos de felicidade e de realização, assim como há momentos de dor e de sofrimento. Mas, obter a felicidade através do sofrimento dos outros é inconcebível. Basta não fazer à outrem aquilo que não gostaria que fizessem à você."  



Quando por várias vezes, no decorrer de nosso relacionamento, quis ir embora de casa e retornar minha vida livre, sem você, recuei por compaixão aos seus apelos e suas lágrimas me faziam sentir a mais culpada das criaturas da face da terra. 

Todas as minhas tentativas de libertação foram frustradas, mas como havia me comprometido em ficar, mantive minha palavra. Mesmo, sendo manipulada por todas as suas chantagens emocionais, havia meu afeto e respeito às suas limitações emocionais. Assim, sempre fui otimista na reconstrução de nossa união e viver tranquilamente. 

Acreditava que suas inseguranças quanto a minha fidelidade  um dia passariam e a importância da lealdade supriria seus vazios. Afinal, minhas qualidades de ser uma companheira presente que enfrentava todos os seus momentos difíceis era o que importava. 

Jamais, deixei de apoiar você quanto aos seus erros e, quando atacado por alguém alheio à nós ou mesmo pelos afins, sempre lhe defendi, mesmo tendo que brigar em sua defesa. Assim, nunca lhe expus á qualquer situação vexatória ou humilhante. 

Interrompi o ciclo da minha vida, dos meus projetos e dos meus ideais para ser leal a nosso plano de relação, enfrentei as mais duras solidões pela sua ausência. Mas, ao mesmo tempo me sentia gratificada por ser forte e conseguir ultrapassar todos os obstáculos no decorrer da caminhada. 

Perdi muito, mas muitos anos de carreira profissional por optar em ficar com você. Foram escolhas dificílimas, além das outras escolhas que tive que fazer. Praticamente rompi com tudo que almejava. 

Hoje, depois de toda decepção e danos emocionais causados por sua ingratidão e traição, vejo o quanto foi perdido todo o investimento afetivo focado em você. Mas, a lição que tiro disso, é que permiti ser ludibriada e mesmo, diante da minha ingenuidade e fracasso sou consciente que o meu valor como companheira é demasiadamente superior pelos princípios morais e éticos que estão arraigados em mim. E, mesmo assim, você não conseguiu me tirá-los. 

Meus fracassos e derrotas, na verdade são consequências do meu amor que é demais, enquanto que você tem amor de menos, até por você mesmo que não consegue se sentir amado. Pois, seu complexo de inferioridade é tão evidente que você vampirizou até além dos meus excedentes de afeto. E, o pior, sem ter conseguido se tornar uma pessoa melhor. 

Seu egoísmo e sua mesquinhez de sentimentos extrapolaram à mim, afetando até nossos afins. Você pouco se importou com filhos e ainda, para se justificar de tamanha sordidez me injuriou, caluniou e difamou perante todos. Fora as situações de exposição humilhante.

É uma pena, que hoje doente não terei mais tempo de me reconstruir e os dias tornaram-se minutos, assim como os anos longínquos do passado não voltarão para indenizar-me todos os furtos sofridos. Pois, enquanto você regojiza a vida fútil altamente confortável sem se preocupar com os demais, nós padecemos todos os momentos de dificuldades que vão abaixo do nível suportável de dignidade humana. 

Por fim, se você consegue ser feliz às custas do sofrimento alheio, que aliás você causou, então você não existe como pessoa humana e não aprendeu nada da vida.